Imagine uma empresa que precisa resolver um problema interno que exige uma solução tecnológica, mas ainda não encontrou a alternativa ideal. Do outro lado, uma startup desenvolve uma tecnologia que pode atender exatamente a essa demanda. Como conectar essas duas pontas?
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É essa a proposta da inovação aberta: conectar organizações que enfrentam desafios a startups, empresas e instituições que podem contribuir com conhecimentos e tecnologias para encontrar soluções.
Como funciona a inovação aberta?
A inovação aberta é uma abordagem que utiliza conhecimentos e tecnologias de dentro e de fora das organizações para desenvolver soluções. Diferentemente do modelo de inovação fechada, em que o desenvolvimento depende principalmente dos recursos internos, essa estratégia valoriza a colaboração entre empresas, startups, universidades e instituições de pesquisa.
E, essa conexão pode acontecer por meio de editais que apresentam demandas tecnológicas e selecionam startups com propostas para solucioná-las. As empresas oferecem acesso ao contexto operacional e, em alguns programas, à infraestrutura necessária para os testes, enquanto as startups contribuem com suas tecnologias.
Quais são as oportunidades da inovação aberta para empresas e startups?
A colaboração entre organizações pode gerar benefícios para os dois lados. Para as empresas, representa uma oportunidade de acessar tecnologias desenvolvidas externamente e avaliar alternativas para adversidades que nem sempre conseguem resolver apenas com suas equipes internas.
Já para as startups, a inovação aberta pode facilitar o acesso a ambientes de aplicação, acompanhamento técnico e contato com potenciais clientes. Testar uma tecnologia em condições reais de operação permite avaliar seu desempenho, identificar melhorias e demonstrar seu potencial de mercado.
Os editais de inovação aberta ajudam a organizar essa colaboração, definindo as demandas tecnológicas, os critérios de seleção das startups e as condições para testar suas tecnologias. Dessa forma, empresas e startups têm mais clareza sobre os objetivos, as responsabilidades e as etapas do processo.
Como o Itaipu Parquetec conecta empresas e startups?
O Itaipu Parquetec atua nessa conexão por meio da estruturação e operacionalização de programas de inovação aberta, aproximando empresas que buscam soluções para suas necessidades de startups que desenvolvem as tecnologias capazes de atendê-las.
Um exemplo é o Sanepar Startups, programa desenvolvido em parceria com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para atender a demandas tecnológicas do setor de saneamento. Nessa iniciativa, o Itaipu Parquetec teve papel central na condução do processo, conectando as necessidades da companhia a startups com tecnologias compatíveis, além de coordenar a operacionalização do programa e oferecer mentorias para apoiar o aprimoramento e a validação das tecnologias em desenvolvimento.
Foi por meio dessa atuação que as startups Stattus4 e Radioforce foram conectadas à iniciativa e puderam avançar na aplicação de suas tecnologias.
O resultado foi além da etapa de testes: as duas soluções foram contratadas por mais de R$ 6 milhões. O caso mostra como programas estruturados de inovação aberta podem aproximar tecnologias das necessidades do mercado e abrir oportunidades de negócio para as startups participantes.
Stattus4: tecnologia para identificar vazamentos de água
A Stattus4 desenvolveu uma solução que combina sensores e inteligência artificial para identificar vazamentos nas redes de distribuição de água. Com apoio técnico e mentoria, a tecnologia foi inicialmente aplicada em 22 quilômetros de rede em Curitiba.
Em 2024, a solução avançou com a ampliação para mais 2.500 quilômetros de rede na região Sul da cidade. Mais recentemente, em Cascavel, a ferramenta identificou 1.100 vazamentos, sendo 600 ocultos, após inspeções em 900 quilômetros de tubulações ao longo de um ano.
A parceria entre a Stattus4 e a Sanepar segue em execução, demonstrando como a conexão entre startups e grandes companhias pode transformar projetos de inovação em soluções aplicadas em escala. A continuidade do contrato evidencia a evolução da tecnologia, desde os primeiros testes até sua ampliação operacional, contribuindo para a redução de perdas de água e a eficiência dos serviços de saneamento.
Radioforce: inteligência artificial aplicada ao monitoramento de redes
A Radioforce desenvolveu um sistema que utiliza hidrofones inteligentes, Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial para monitorar ruídos nas redes de distribuição e localizar possíveis vazamentos.
A tecnologia também avançou para uma etapa de avaliação em escala junto à Sanepar, demonstrando como a validação em ambientes operacionais pode contribuir para avaliar a aplicação de uma solução em redes maiores e mais complexas.
Assim como no caso da Stattus4, essa experiência evidencia uma possibilidade importante para startups: aproximar uma tecnologia de uma necessidade concreta do mercado e criar condições para demonstrar seu valor.
E, essa experiência também se conecta a novas iniciativas que buscam soluções tecnológicas para demandas específicas do setor de saneamento. É o caso do Sanesul Innova, edital internacional que busca tecnologias para melhorar o tratamento de água em Mato Grosso do Sul.
Sanesul Innova: uma oportunidade para startups desenvolverem soluções para o tratamento de água
Conduzido pelo Itaipu Parquetec em parceria com a Sanesul e o Fonplata – Banco de Desenvolvimento, o Sanesul Innova busca startups com tecnologias capazes de enfrentar dois desafios identificados nos sistemas de abastecimento de água subterrânea em Mato Grosso do Sul.
Em Naviraí, o objetivo é encontrar uma solução para remover o caulim presente naturalmente na água subterrânea. Em Juti, o desafio é remover flúor e sais dissolvidos, permitindo que a água seja utilizada no abastecimento público dentro dos padrões de potabilidade.
Podem participar startups do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai, com tecnologias em níveis de maturidade entre TRL 5 e 9, conforme os critérios do edital.
O que as startups selecionadas recebem?
O edital prevê a seleção de até quatro startups, sendo duas para cada desafio. Cada empresa selecionada receberá um aporte financeiro de R$ 79 mil, além de mentoria técnica especializada, apoio ao desenvolvimento do modelo de negócio, acesso à infraestrutura da Sanesul e acompanhamento durante a execução da Prova de Conceito (PoC).
A iniciativa oferece às startups a possibilidade de testar suas tecnologias em um sistema real de saneamento, avaliar seu desempenho e demonstrar como podem contribuir para solucionar uma demanda operacional. Para a Sanesul, representa a oportunidade de avaliar alternativas tecnológicas para desafios concretos de tratamento de água.
Como participar do Sanesul Innova?
As inscrições estão abertas de 9 de outubro a 10 de novembro de 2026. As startups interessadas podem consultar os desafios, os critérios de participação e as condições do edital pela página oficial.
Acesse o edital Sanesul Innova e inscreva sua startup.
A inovação aberta cria oportunidades quando conecta conhecimentos, tecnologias e necessidades. Ao aproximar empresas e startups, o Itaipu Parquetec contribui para transformar desafios operacionais em possibilidades de desenvolvimento tecnológico e novos negócios.